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segunda-feira, 20 de abril de 2015

Mais um dia

Fui vê-lo este fim de semana. 
O quarto estava escuro. 
Não resmungou quando acendi a luz. 
Olhou para mim. Conheceu-me. 
Beijei-o na face e sentei-me ao lado dele. 
Falei-lhe durante horas. 
Estava atento ao que eu dizia. 
Perguntei-lhe o que tinha almoçado. Não se lembrava. 
No quarto pairava uma melancolia menor do que nos outros dias. 
Perguntaram-lhe se gostava que eu o fosse visitar. Acenou com a cabeça que sim. 
Disseram-lhe que no outro fim de semana não tinha ido lá. Concordou. 
Foi bom sentir que sabia quem eu era.
Quando não souber beijo-o, sento-me na cama dele e ajudo-o a lembrar. 



Fotografia: Jeffrey Pine







sexta-feira, 17 de abril de 2015

Amor de manas

Duas manas reencontram-se numa tarde de primavera. 
São tão diferentes. 
Uma tem o rosto marcado pelo sofrimento de uma vida vivida em prol dos seus. Roubaram-lhe o marido cedo de mais. 
A outra é a cara da mãe, tem os cabelos grisalhos e já se apoia numa bengala.
Que saudades eu tenho. 
Lembro-me de regressar da escola, ao final da tarde, dar-lhe o lanche e deitar-me no tapete da sala a ver a Carrinha Mágica e a comer bolachas de manteiga e chocolate até mais alguém chegar a casa.
Recordam-se desses desenhos animados?
Ah, como eu viajava com toda aquela magia! 
Ainda tenho na memória o lugar onde ela gostava de colocar a cadeira nos dias de sol sempre com o lenço na cabeça e o xaile pelas costas.
As manas conversam. 
O ambiente está pesado. 
Eu sinto. 
Toda a gente sente. 
Falam sobre este e aquele.
Falam sobre o tempo. 
Evitam o assunto. 
O tempo resfria como se de uma verdadeira despedida se tratasse. 
Eu dou um beijo à mana e digo "venha visitar-nos" e um com um sorriso responde-me "até um dia minha filha". 
A noite chega e com ela a esperança de que não seja um adeus. 


Fotografia: Sebastião Salgado

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Caminhar ao teu lado

Quero caminhar ao teu lado
Quero amparar-te
Quero seguir os teus passos
Quero ver-te voar
Quero ver-te feliz
Quero ceder
Sem nunca esquecer. 

Quero conhecer cada ruga
do teu rosto.
Quero perdoar
sem nada temer.
Quero lutar
Quero amar. 

Se um dia o sol deixar de brilhar
Se os pássaros deixarem de bailar
Se as árvores ficarem despidas
Se os mares deixarem de ter marinheiros
O meu amor por ti não venceu. 

Se esse dia chegar meu amor
Eu não serei eu
Nem tu serás tu. 





domingo, 12 de abril de 2015

O sonho

Hoje sonhei com ele. 
Foi como se estivesse ali comigo na cama. 
Sonhei aquilo que não consigo dizer. 
Sonhei aquilo que não sou capaz de fazer. 
Sonhei com risadas, com beijos e abraços. 
Senti que tinha conseguido dizer tudo o que me vai na alma. 
Senti tudo isso e muito mais. 
E quando acordei o meu coração doeu. 
Doeu porque voltei de novo à realidade. 


Para ti.


sexta-feira, 10 de abril de 2015

Coleção Carolina Herrera



Lindos de mais. Noivas vejam e deliciem-se. 



Carolina Herrera 'Daisy' Wedding Gown- Fall '15



Carolina Herrera 'Delfina' Wedding Gown- Fall '15


Carolina Herrera 'Dahlia' Wedding Gown- Fall '15



Coleção aqui:

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Se me esqueceres


Quero que saibas
uma coisa.

Sabes como é:
se olho
a lua de cristal, o ramo vermelho
do lento outono à minha janela,
se toco
junto do lume
a impalpável cinza
ou o enrugado corpo da lenha,
tudo me leva para ti,
como se tudo o que existe,
aromas, luz, metais,
fosse pequenos barcos que navegam
até às tuas ilhas que me esperam.

se olho
a lua de cristal, o ramo vermelho
do lento outono à minha janela,
se toco
junto do lume
a impalpável cinza
ou o enrugado corpo da lenha,
tudo me leva para ti,
como se tudo o que existe,
aromas, luz, metais,
fosse pequenos barcos que navegam
até às tuas ilhas que me esperam.


Mas agora,
se pouco a pouco me deixas de amar
deixarei de te amar pouco a pouco.


Se de súbito
me esqueceres
não me procures,
porque já te terei esquecido.


Se julgas que é vasto e louco
o vento de bandeiras
que passa pela minha vida
e te resolves
a deixar-me na margem
do coração em que tenho raízes,
pensa
que nesse dia,
a essa hora
levantarei os braços
e as minhas raízes sairão
em busca de outra terra.


Porém
se todos os dias,
a toda a hora,
te sentes destinada a mim
com doçura implacável,
se todos os dias uma flor
uma flor te sobe aos lábios à minha procura,
ai meu amor, ai minha amada,
em mim todo esse fogo se repete,
em mim nada se apaga nem se esquece,
o meu amor alimenta-se do teu amor,
e enquanto viveres estará nos teus braços
sem sair dos meus. 


Pablo Neruda, in "Poemas de Amor de Pablo Neruda" 

Fotografia: Ansel Adams

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Páscoa


E assim se resumem uns dias de descanso, amor, paz e sobretudo família. 
Já dizia Tolstoi "A verdadeira felicidade está na própria casa, entre as alegrias da família".










quarta-feira, 1 de abril de 2015

Tenho medo


Tenho medo do teu corpo. 
Tenho medo do tempo. 
Tenho medo da escuridão. 
Tenho medo que não me reconheças. 
Tenho medo do meu nome não te fazer recordar as brincadeiras. 
Tenho medo de na despedida não me prenderes mais no teu olhar.
Que os pássaros parem de chilrear nessa altura, que o sol se esconda, que a brisa deixe de correr, que o vento pare de soprar, que os minutos parem para eu poder dizer que te adoro. 





sexta-feira, 27 de março de 2015

O jardim feliz


Um dia vou ter um jardim. 
Um jardim onde possa cuidar de ti. 
Um jardim onde possa cuidar das flores. 
Um jardim onde possa cuidar das árvores.
Um jardim onde os nosso filhos possam apanhar a fruta,
quando querem.
Sim, um dia vou ter um jardim. 
Vou amar-te tanto que as flores vão sorrir quando passarmos,
vão florescer quando sorrirmos. 
Mas olha, meu querido. 
Mesmo sem jardim, 
mesmo sem flores,
mesmo sem árvores,
mesmo sem filhos,
vou amar-te.